Vento pode passar dos 100 km/h; fenômeno é associado a contraste de temperatura após calor histórico e chegada de potente massa de ar polar

Fenômeno é conhecido como Nor’easter nos Estados Unidos.

Um fenômeno chamado de “ciclone bomba” ou “bomba meteorológica” atinge o Rio Grande do Sul e outros estados do Sul e Sudeste entre esta terça e quarta-feira (30 e 1º de julho). A condição traz chuva intensa, tempestades isoladas e muito vento.

A chuva forte e volumosa ocorrerá na faixa central do Rio Grande do Sul, inclusive Porto Alegre e região, e a Metade Norte gaúcha nesta terça. Será responsável ainda por temporais fortes a severos em Santa Catarina e no Paraná hoje. O efeito maior, contudo, será um episódio significativo de vento no Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina.

Ontem, a Marinha alertou para previsão de ressaca, com ondas de direção Sul a Sudeste, entre 3,0 e 4,0 metros de altura, na faixa litorânea entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ao sul de Florianópolis, entre a noite do dia 30 de junho e a manhã do dia 2 de julho. Também informa a ocorrência de ondas, em alto-mar, de direção Nordeste a Noroeste, passando para direção Oeste a Sul, entre 3,0 e 6,0 metros de altura no período.

O que é o ‘ciclone bomba’

O “ciclone bomba” ocorre quando a pressão atmosférica no centro de um ciclone cai em média 1 hPa por hora em 24 horas, ou seja, no mínimo 24 hPa em 24 horas. Segundo a MetSul, é exatamente o que se espera que ocorrerá entre o Sul do Brasil e o Atlântico entre esta terça e a quarta-feira. Segundo a meteorologista Estael Sias, “quanto mais baixa a pressão atmosférica numa determinada área, mais tem elevação de ar e nuvens carregadas.” O fenômeno acontece, geralmente, associado a contraste de temperatura. Há poucos dias, houve calor histórico e agora há incursão de potente massa de ar polar, ressalta Estael.  

Esse tipo de fenômeno, ciclone bomba, é comum no inverno e sempre ocorre no Norte da Europa e no Nordeste dos Estados Unidos, onde recebe o nome de Nor’Easter. No Atlântico Sul é mais comum em latitudes mais ao Sul do que vai se formar agora, comumente a Sudeste do Rio da Prata, na costa da Argentina ou no cinturão de baixas da Antártida. São estes ciclones que “sugam” ar muito frio e trazem queda de temperatura. Por isso, esfriará muito na quarta-feira.

O mapa do modelo alemão Icon projeta 1.001 hPa no centro da baixa sobre o Sul do Paraguai na madrugada desta terça, mas 24 horas depois, na madrugada de quarta, a baixa pressão já como ciclone formado estará com 976 hPa sobre o Atlântico, uma queda de 25 hPa em 24 horas.

Vento pode passar dos 100 km/h

O centro de baixa pressão que migra de Noroeste para Sudeste e estará sobre o Rio Grande do Sul nesta terça-feira se transformará em ciclone extratropical sobre o Atlântico. As rajadas serão muito fortes a intensas no Sul e no Leste gaúcho assim como no Leste catarinense durante a quarta, especialmente na madrugada, de manhã e no início da tarde.

Devem atingir de 80 km/h a 100 km/h, mas em pontos do Litoral Norte e dos Aparados podem ficar entre 100 km/h e 120 km/h. No Planalto Sul Catarinense, em alguns pontos de montanhas 120 km/h a 140 km/h. Para Porto Alegre, modelos projetam de 80 km/h a 100 km/h.

Como a topografia local geral forma “túneis de vento”, isoladamente podem ocorrer rajadas superiores nestas regiões.

Áreas de maior risco no RS

Há risco de transtornos como falta de luz, que pode afetar um alto número de consumidores, e danos como destelhamentos e colapso de estruturas. As áreas de maior risco são o Sul, o litoral de Sul a Norte, e principalmente o Norte, a região da Lagoa dos Patos e entorno, o Leste da Serra e os Aparados. Nas demais regiões gaúchas ocorrerão rajadas, mas menos intensas. O vento cede da tarde para a noite amanhã.

Os problemas de ventania, contudo, podem começar já nesta terça-feira por corrente de jato em baixos níveis da atmosfera induzida pela formação do ciclone com vento do quadrante Norte forte a intenso no Médio e Alto Uruguai, Serra, Aparados e Litoral Norte, e ainda em Santa Catarina e no Paraná. Mesmo São Paulo pode ter vento forte nesta terça, especialmente no Litoral em locais junto à Serra do Mar.

Rajadas de 70 km/h a 90 km/h nestas regiões do Sul do Brasil, isoladamente superiores. Nas montanhas do Planalto Sul de Santa Catarina 130 km/h a 150 km/h.

E, mais, a frente fria organizada pelo ciclone ao avançar por Santa Catarina e o Paraná nesta terça formará uma linha de tempestades com alto risco de vento muito intenso localizado na forma de vendavais e talvez até atividade tornádica pela presença da corrente de jato interagindo com a frente a partir do Norte gaúcho e que atingirá Santa Catarina e o Paraná.

A pressão atmosférica muito baixa, que cairá abaixo de 1000 hPa, será um agravante para tempo severo.

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Antonino Simões de Campos
Jornalista formado pela Universidade Ceub - Brasilia/DF. Ex-presidente da Adjori/ES - Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Estado do Espírito Santo - de 2013 a 2016

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